A venda termina. A experiência não.

Coluna Por Aline Rizzo | Mente, Marca e Performance

 

Existe uma forma curiosa de perder clientes.

Ela não faz barulho.

Ninguém bate a porta.
Ninguém escreve um texto indignado.
Ninguém diz que encontrou alguém melhor.

As pessoas apenas… deixam de voltar.

E talvez esse seja o tipo de perda mais perigosa que existe.

Porque o silêncio quase sempre parece ausência de problema, quando, na verdade, já é a consequência dele.

O pequeno empresário costuma comemorar a venda como quem cruza uma linha de chegada.

Fechou.

Entregou.

Recebeu.

Próximo.

Mas a venda nunca foi o fim da história.

Ela é o instante em que uma pergunta começa:

o que essa pessoa sente quando eu não estou mais presente?

No fundo, toda marca deixa uma sensação.

E essa sensação raramente nasce do produto.

Nasce da experiência.

Daniel Kahneman, prêmio Nobel e um dos maiores estudiosos do comportamento humano, demonstrou que nossa memória não guarda uma experiência inteira. Ela registra principalmente dois momentos: o ponto de maior intensidade e a forma como tudo terminou.

É curioso pensar nisso.

Porque passamos horas aperfeiçoando produtos, embalagens, processos e preços.

Mas esquecemos do único momento que continuará existindo quando tudo acabar: a lembrança.

Talvez seja por isso que tantas empresas acreditem perder clientes por preço.

Preço é uma explicação confortável.

Ela nos livra da responsabilidade.

A verdade costuma ser menos conveniente.

As pessoas raramente vão embora porque encontraram algo mais barato.

Elas vão embora porque deixaram de sentir que existiam para aquela empresa.

Cliente não abandona uma marca de uma vez.

Ele vai se afastando em silêncio.

Como quem sai de uma conversa que já não faz mais sentido.

Sem conflito.

Sem despedida.

Sem anúncio.

Até que um dia, quando precisa comprar novamente, simplesmente lembra de outra pessoa.

Ou pior…

não lembra de ninguém.

Existe uma pergunta que deveria acompanhar qualquer empreendedor depois que uma venda acontece:

Quando o dinheiro deixa de ser o centro da relação, o que continua existindo entre nós?

Se a resposta for apenas uma nota fiscal arquivada ou uma mensagem automática desejando “bom dia”, talvez o problema nunca tenha sido o marketing.

Talvez tenha sido a ausência.

Porque presença não é aparecer quando surge uma promoção.

Presença é permanecer relevante quando não existe nenhuma intenção imediata de vender.

No fim, empresas não crescem apenas porque entregam bons produtos.

Crescem porque ocupam um lugar na memória das pessoas.

E memória não se constrói no momento da compra.

Constrói-se no que acontece depois dela.

Porque ninguém decide abandonar uma marca em um único dia.

Ela apenas deixa de sentir vontade de voltar.

E esse tipo de silêncio…

é sempre uma conversa que deixou de acontecer.

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